TRE-RJ proíbe Knoploch de portar armas e spray de pimenta em atos de campanha; vídeo mostra deputado em confusão
Deputado Alexandre Knoploch (PL) ameaça puxar arma contra militantes do PSOL no RJ O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) determinou que o de...
Deputado Alexandre Knoploch (PL) ameaça puxar arma contra militantes do PSOL no RJ O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) determinou que o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), candidato à reeleição, não porte, exiba ou utilize armas de fogo, munições, spray de pimenta ou dispositivos similares durante seus atos presenciais de campanha. A ordem vale a partir da intimação pessoal do parlamentar e até 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno das eleições. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A decisão é do desembargador eleitoral Fábio Ribeiro Porto e foi concedida parcialmente. O caso será levado para análise dos demais integrantes da Corte na sessão marcada para esta quinta-feira (1º). A ordem prevê multa de R$ 20 mil por episódio de descumprimento, depois da intimação pessoal. O valor poderá ser revisto pelo tribunal e sua cobrança dependerá da comprovação de que a determinação foi desrespeitada e da manifestação do parlamentar. A decisão não suspende de forma geral eventual autorização de porte ou posse de armas de Knoploch. A restrição é específica para os atos presenciais de campanha, como comícios, caminhadas, panfletagens, carreatas, reuniões e encontros. Também fica proibido que os instrumentos sejam disponibilizados ao deputado por outra pessoa durante essas atividades. A decisão foi uma resposta ao pedido do Ministério Público Federal (MPF) para a suspensão do porte das armas de fogo do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) até o fim da campanha eleitoral. O pedido é consequência da confusão ocorrida na segunda-feira (28), na Tijuca, Zona Norte do Rio, quando Knoploch discutiu com militantes do PSOL em frente ao comitê do também deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), exibiu uma arma de fogo e, como mostra o vídeo obtido pelo g1, utilizou spray de pimenta contra as pessoas. Vídeo mostra deputado Knoploch usando spray de pimenta em confusão com militantes do Psol Risco de repetição da conduta O desembargador afirmou que os documentos apresentados no processo demonstram, em grau suficiente para uma decisão liminar, o uso de spray de pimenta e a exibição de uma arma de fogo durante o episódio ocorrido em 28 de setembro, na Tijuca. Segundo a decisão, a avaliação levou em conta registros em vídeo, o boletim de ocorrência, declarações de testemunhas e uma manifestação publicada pelo próprio Knoploch nas redes sociais. Para o relator, esse conjunto indicaria também risco de repetição da conduta. O relator também considerou a publicação feita pelo deputado no dia do episódio, na qual ele afirmou: “Uso, sim, spray de pimenta pra qualquer um que tentar me agredir” e disse que a política era feita “na guerra”. Para a decisão, a sequência entre o anúncio, o episódio e a reafirmação posterior constitui indício de disposição de repetir a conduta. Imagem mostra deputado Alexandre Knoploch (PL) ameaçando puxar arma contra militantes do PSOL na Tijuca Reprodução Aproximação segue liberada Apesar de determinar a restrição ao uso e porte dos instrumentos, o relator negou, por enquanto, os outros principais pedidos apresentados por Flávio Serafini e Maria de Lourdes do Carmo. Os candidatos haviam pedido que Knoploch fosse proibido de se aproximar a menos de 200 metros do comitê de Serafini, de se aproximar deliberadamente dos atos de campanha dos requerentes e de manter contato com eles e com as vítimas. Também havia pedido para retirar das redes sociais um vídeo publicado pelo deputado. A decisão deixa explícito que a liminar não impede Knoploch de fazer campanha. O deputado continua autorizado a participar de comícios, caminhadas, panfletagens e carreatas, apresentar propostas, criticar adversários e circular por espaços públicos. A restrição determinada pelo TRE-RJ é exclusivamente relacionada à disponibilidade de armas, munições, spray de pimenta e dispositivos similares durante essas atividades. O relator também afirmou que a decisão não representa cassação de eventual porte de arma, não determina apreensão do arsenal do deputado e não interfere nos registros mantidos perante a Polícia Federal ou o Comando do Exército. Na opinião do deputado Alexandre Knoploch (PSL), alguns parlamentares não se vestem de forma 'adequada' para o trabalho legislativo Reprodução TRE-RJ vai analisar liminar nesta quinta Knoploch deverá ser intimado pessoalmente e terá dois dias para se manifestar sobre a tutela concedida, sem prejuízo do prazo para apresentar sua defesa no processo. A decisão também determina que a Procuradoria Regional Eleitoral e as autoridades policiais sejam comunicadas para conhecimento e fiscalização da ordem. A liminar será submetida ao Plenário do TRE-RJ nesta quinta-feira (1º) para que os demais integrantes do tribunal decidam se a ratificam. Possíveis crimes eleitorais Na manifestação, o Ministério Público afirma que os elementos reunidos indicam a possível prática de diversos crimes eleitorais e delitos comuns conexos. Entre as condutas que deverão ser apuradas estão: O impedimento ao exercício da propaganda eleitoral, por causa do uso de spray de pimenta, da exibição da arma e das ameaças à militância; violência política de gênero contra Maria de Lourdes do Carmo, candidata a suplente do Senado; injúria eleitoral; lesão corporal; ameaça; desobediência e eventual porte ilegal de arma de fogo, caso seja constatada a ausência de autorização válida para o porte. O MPF ressalta, porém, que a eventual configuração desses crimes ainda será objeto de investigação. O desembargador do TRE ressaltou que a decisão liminar não representa uma decisão definitiva sobre eventuais crimes ou infrações eleitorais relacionados ao episódio. Também não há, neste momento, decisão sobre registro de candidatura, diploma ou mandato. MPF cita vídeo publicado antes da confusão Um dos fundamentos usados pelo Ministério Público para justificar a urgência das medidas é um vídeo publicado por Knoploch em 18 de setembro, dez dias antes do episódio na Tijuca. Segundo a manifestação, o vídeo foi impulsionado com recursos de campanha no Facebook Ads e continha a frase: “A paciência acabou! Se não respeitar vou responder com spray de pimenta" Para o procurador, o episódio de 28 de setembro não teria sido um acontecimento isolado. A manifestação afirma que o vídeo anterior seria um elemento para avaliar o risco de repetição da conduta. Sete armas declaradas Outro elemento utilizado para fundamentar o pedido de suspensão do porte foi a declaração de bens apresentada por Knoploch à Justiça Eleitoral. Segundo a manifestação, o deputado declarou possuir sete armas de fogo, entre elas: Um fuzis Taurus T4 .556; uma carabina .40; pistolas 9 mm e .45; e um revólver .357 MAG. O MPF afirma que a combinação entre a posse declarada das armas, a postura descrita na manifestação como beligerante e a exibição de uma arma durante o episódio na Tijuca justificaria a adoção imediata das cautelares. Relembre a confusão A confusão ocorreu por volta das 13h40 de segunda-feira (28), na esquina da Rua Conde de Bonfim com a Rua General Roca, na Tijuca. De acordo com o relato apresentado à Procuradoria, Knoploch teria ido ao comitê de Serafini incomodado com a música que era tocada no local e iniciado uma discussão com os militantes. Ainda segundo a notícia-crime, depois que uma pessoa não identificada teria dito “o pai está preso”, em referência a Jair Bolsonaro, Knoploch retirou do bolso um spray de pimenta e o disparou contra as pessoas que estavam na calçada. O relato apresentado ao MPF afirma que o spray teria atingido os olhos e a boca de Cíntia, Sérgio Augusto Rodrigues Belerique e Maria de Lourdes do Carmo, além de pessoas próximas. Na sequência, segundo a notícia-crime, Knoploch teria exibido uma arma de fogo que estava sob a camiseta. Esse momento também foi registrado em vídeo. Imagem mostra deputado Alexandre Knoploch (PL) ameaçando puxar arma contra militantes do PSOL na Tijuca Reprodução A Polícia Militar foi chamada ao local. De acordo com a representação, os policiais orientaram Knoploch a aguardar a chegada de um oficial superior e de reforço, mas ele deixou o local. O episódio foi registrado na 19ª Delegacia de Polícia. Knoploch diz ter entrado com ação no TRE-RJ A equipe de campanha do deputado Alexandre Knoploch informou ao g1 que o parlamentar entrou com uma ação no TRE-RJ contra o PSOL após uma música de conteúdo sexual envolvendo Flávio Bolsonaro ser executada no comitê de Flávio Serafini, na Tijuca. Segundo o parlamentar, a canção era ouvida em um espaço público, por onde circulam crianças e idosos. Após o episódio, Knoploch publicou um vídeo nas redes sociais no qual apresentou uma versão diferente para o que aconteceu. Ele disse que estava fazendo campanha na região e foi reclamar da música que estava sendo tocada no comitê do PSOL. "Acabei de sair agora da Praça Sans Pena, uma covardia. Uma covardia. Tem um comitê lá da esquerda, não sei se é do Serafini, Lula, sei lá o que que é. Pra vocês terem uma ideia, nós estamos o dia inteira panfletando, o dia inteiro dando material. E aí eles botaram uma música". Segundo o parlamentar, a música era o jingle "TariFlávio", que faz acusações e xingamentos contra o candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro. Knoploch afirmou que uma mulher que passava pelo local também reclamou da música e que, quando ele questionou os militantes, foi cercado por cinco pessoas. "Um horror, uma depravação. Uma senhora passou e reclamou, falou: 'meu filho, eu não posso ouvir isso'. E eu fui reclamar com eles. Eles vieram em cinco em minha direção, o motoboy que estava lá, que estava horrorizado também. Como se não bastasse, vieram me intimidar. Eu já falei, eu não vou aceitar a intimidação. Uso sim sprays de pimenta pra qualquer um que tentar me agredir". "E digo mais: Esse é o tipo de política que esses caras fazem. É na guerra e tentando agredir. Não vão calar a gente não, não vão".